#14 EAD no ar, pra que comunicar?


Pra que comunicar? Pra nada não, bobagem! Até porque, todo programa online tem um dispositivo automático, ultra moderno, que se conecta com o córtex pré-frontal de todos os funcionários fazendo com que eles executem as ações do programa, com um simples clique em “enviar informações para cérebros agora”. SQN!


Se você descobrir algo parecido, por favor, compartilhe conosco. Até lá, vamos falar da comunicação interna, que demanda um pouco mais de ações e esforços pra acontecer, certo?


É fato que a disputa pela atenção das pessoas é uma guerra declarada. Em um mercado altamente competitivo e com o volume crescente de informações e meios disponíveis, o desafio tem sido cada vez maior. Isso já havia sido apontado lá em 2001 por Beck e Davenport que consideravam a atenção como a verdadeira moeda dos negócios e indivíduos.


Em meio a essa guerra que nem sempre é justa, estamos nós, da área de T&D tentando provar que o treinamento é bom, importante e necessário para a melhoria dos resultados organizacionais e individuais. Mas o grande problema, na nossa opinião, é que normalmente não temos domínio da área de comunicação interna nas empresas, e por isso desenhamos os programas de treinamento presenciais ou online desconsiderando um plano de comunicação. Sabe aquela coisa: é de casa, todo mundo precisa fazer.


Um estudo conduzido por Asif e Sargeant (2000) mostrou que uma comunicação interna efetiva pode gerar resultados valiosos: visão compartilhada, satisfação com o trabalho, foco, empoderamento, comprometimento e lealdade. Portanto, os programas de educação e desenvolvimento não podem ficar de fora da comunicação.


Já vimos isso acontecer em inúmeras empresas: programas que obtiveram maior engajamento dos participantes porque a comunicação foi atrativa e outros, em que a comunicação foi um vexame e não contribuiu em nada para o programa, amargaram o descaso da galera.


Bom, então, pra evitar essa gafe, vamos falar de alguns passos importantes que você deverá estabelecer no seu plano de comunicação desde o começo da estruturação do seu programa de treinamento.


IMPORTANTE! O ministério do marketing e comunicação interna adverte: não somos profissionais da área, portanto, o que vamos compartilhar são as experiências práticas que vivenciamos com os programas implementados.


1) Envolva os gestores no processo: o envolvimento e patrocínio dos gestores do seu público-alvo é peça-chave para o sucesso da comunicação. Não à toa, colocamos aqui como 1º item da comunicação. O objetivo é fazer com que os gestores sejam patrocinadores e multiplicadores de informações relevantes sobre o programa para seus times.


Um estudo de King, Lahiff and Hatfield (1998) apontou que a comunicação entre supervisores e seus colaboradores influenciam na satisfação com o trabalho. Hayase (2009) mostrou que não só a comunicação entre supervisor e seus colaboradores é importante para a satisfação e comprometimento, mas também o envolvimento do gestor do gestor nesse processo.


#ficaadica: além de envolver os gestores diretos dos participantes, muito importante também é envolver quem está acima deles. Vale a pena pensar em alternativas para deixá-los alinhados com todo o programa de treinamento.


Já vivi situações em que o colaborador estava participando do treinamento (presencial) e o gestor imediato ligou pedindo para que esse colaborador voltasse para sua área. Também já ouvi muitos depoimentos de colaboradores dizendo que não faziam seus cursos online no trabalho porque o chefe não gostava. Muito triste, mas sei que você também pode ter histórias como essa pra contar.


2) Defina aspectos base da campanha: nome do programa, mote da campanha, logo, linha criativa da campanha, linguagem, abordagem. Essa etapa começa lá no bloco LUZ, CONTEÚDO. Se você não começar lá, corre o risco de perder o bonde. Acredite!


Para essas definições, você deve envolver o(s) responsável(is) pela comunicação na sua empresa, seja uma equipe interna ou externa (agência, freelancer, etc).


Se você não tem recursos financeiros para o profissional externo, calma que temos um plano. Há vários recursos simples e gratuitos ou de baixíssimo custo, disponíveis na internet, que você poderá utilizar para sua campanha.


Sabia que tem ferramenta na internet pra você testar o nome do seu programa de treinamento e saber se ele está interessante a ponto de engajar o seu público-alvo? Tem também ferramenta para criar posters, banners, posts para redes sociais e por aí vai.


Em nosso treinamento CANVAS 10Educ a gente mostra tudinho que fizemos em clientes.


3) Liberte-se das cores e formatos pré-definidos: toda empresa tem seu manual de marca que orienta as cores exatas, bem como as fontes que deverão ser utilizadas na comunicação. Corremos o risco de sermos apedrejados com o que vamos falar, mas esse manual NÃO PODE VALER para treinamento e desenvolvimento. Se estamos disputando a atenção das pessoas e sua empresa tem duas cores permitidas, saiba que o seu programa já pode começar ameaçado! Vale a pena brigar por essa liberdade. Já fizemos isso algumas vezes e fez muita diferença!


Já ouviu falar do modelo Comportamental de Fogg? Fogg (2009) apontou 3 elementos para que um comportamento ocorra: motivação, habilidade e gatilho. Como estamos no “capítulo” comunicação, o comportamento que a gente deseja aqui é estruturá-la de forma tão atrativa que os nossos colaboradores queiram acessar os conteúdos, certo? Voltando a Fogg (2009), a motivação envolve o querer fazer, a habilidade refere-se a conseguir fazer e, o gatilho é o call to action, o famoso mão na massa!


Tudo o que você for usar para comunicar precisa levar em conta esses 3 elementos. Se de cara a comunicação é igual a todas as que são feitas na empresa, cores pastéis, sem graça... não dá nem pra começar, né?


Por outro lado, ter uma comunicação maravilhosa, super inspirada por Fogg, mas um conteúdo de treinamento ruim, mal elaborado e pouco prático, também não vai adiantar. Falamos disso lá atrás. Se você perdeu é só voltar pra LUZ! Venha para o lado iluminado da força!

Explico: LUZ é o nosso 1º bloco do Canvas.


4) Use e abuse de peças de comunicação criativas: e não precisa ser nada impresso. Você pode trabalhar com peças digitais super interessantes que vão atrair a atenção da geral. Gente, eu já não aguento mais os móbiles, displays e cartazes. Utilize formatos diferentes: QR codes, e-mail mkt curtos e com conteúdos mais interessantes, banners digitais, memes, podcasts, infográficos, vídeos e muito mais.


O modelo de Fogg, citado no passo 3, vale aqui também!


5) Aposte em canais formais e informais: intranet, workplace e e-mail são canais muito utilizados, porém, vejo muitas empresas perderem a oportunidade de utilização de canais como WhatsApp e Telegram, em função de políticas internas ou questões trabalhistas.


Já vivi isso em uma empresa. O problema girava em torno da questão trabalhista o que nos impedia de enviar comunicação de treinamento via whatsapp. O que fizemos foi enviar um questionário online para os colaboradores, questionando se eles nos autorizavam a enviar conteúdos e comunicação dos treinamento por meio daquele canal. Sim, foi a resposta da maioria! Problema resolvido e a efetividade da comunicação foi muito maior!


6) Estabeleça a régua de comunicação: estabeleça o cronograma da comunicação, quais peças e meios serão utilizados e quando, além disso, quem será o responsável pelos envios e monitoramento das informações de acesso. É muito importante também checar se os meios que você está utilizando para se comunicar com seu público estão funcionando.


No treinamento CANVAS 10Educ a gente vai disponibilizar alguns modelos de cronograma que utilizamos e mostrar como foram aplicados nos programas.


Fechamos aqui, sabendo que se o EAD está no ar, é preciso comunicar!


Leia também nosso post sobre Engajamento. Vamos mostrar outras formas de engajar seu público, além da comunicação, como por exemplo utilizar a gamificação.



CANVAS 10EDUC: LUZ, CÂMERA, AÇÃO e GESTÃO!

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REFERÊNCIAS:

ASIF, S., SARGEANT, A. (2000). Modeling internal communications in the financial services sector. European Journal of Marketing, 34(3-4), 299-318.

Davenport, T. H., & Beck, J. C. (2001). The attention economy: Understanding the new currency of businesses. Boston, MA: Harvard Business School Press.

FOGG, B.J. (2009) A behavior model for persuasive design, Proceedings of the 4th International Conference on Persuasive Technology, April 26-29, 2009, Claremont, California.

HAYASE, Lynn Kalani Terumi, "Internal communication in organizations and employee engagement" (2009). UNLV Theses, Dissertations, Professional Papers, and Capstones . 1176. https://digitalscholarship.unlv.edu/thesesdissertations/1176.

KING, W.C., Lahiff, J.M., & Hatfield, J.D. (1988). A discrepancy theory of the relationship between communication and job satisfaction. Communication Research Reports, 5, 36-43.

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